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>> 08/07 Audiência pública discutiu preços baixos e comercialização da safra de arroz 08/07/2010 - 15h:50mh
Dirigentes e parlamentares cogitam instalar CPI
Assembleia vai encaminhar sugestões aos governos federal e estadual e tentar ouvir indústria na próxima semana. Dirigentes e parlamentares cogitam possibilidade de CPI.

Centenas de produtores rurais participaram, nesta quinta-feira (8), de audiência pública da comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo para discutir a produção e comercialização da safra de arroz no Rio Grande do Sul. A audiência, que lotou as dependências do Teatro Dante Barone, foi requerida pela Federação dos Arrozeiros do RS (Federarroz).

A insatisfação dos produtores com o preço do produto e a necessidade de alongamento do prazo para pagamento das dívidas foram os focos principais da audiência. Ao final do encontro, ficou definido o encaminhamento de documentos do setor aos governos federal e estadual, com propostas de melhorias para o produtor e reversão do situação atual.

Segundo o presidente da comissão, deputado Edson Brum (PMDB), os baixos preços pagos ao produtor e o aumento dos preços ao consumidor demonstra abuso de poder e cartel no setor. “O preço médio aumentou 5,4% ao consumidor, mas caiu para o produtor”, resumiu. Brum adiantou que irá chamar representantes da indústria e supermercados, na próxima semana, para discutir essas possibilidades. “Caso contrário, se não vierem dialogar, poderemos criar uma CPI e convocá-los, que é o desejo da grande maioria aqui presente”.

O presidente da Assembleia, Giovani Cherini (PDT), destacou a representatividade do ato, disse que a instituição dará sustentação à luta dos produtores para melhorar o quadro atual e ameaçou apoiar a criação de uma CPI na Casa. “Se este for o caminho, estamos prontos para isto, estaremos sempre vigilantes na defesa do agricultor”, disse, lembrando comissões de inquérito anteriores e criticando a ausência de representantes da indústria no evento. “Quando não querem participar do debate é porque estão levando o bolo todo, e nós queremos dividir este bolo”.

Os arrozeiros gaúchos estão insatisfeitos com as baixas cotações do grão depois da quebra da safra gaúcha provocada pelo excesso de chuva no período de implantação das lavouras, em 2009. Estes decidiram, recentemente, suspender as vendas diretas do produto para a indústria por menos de R$ 30 a saca de 50 quilos e recorrer aos leilões privados nas Bolsas de Mercadorias na tentativa de forçar uma alta nos preços do produto. Segundo eles, a indústria de beneficiamento e os supermercados são os únicos que estão lucrando com a situação atual.

Prejuízo
O presidente da Federarroz, Renato Rocha, explicou que o produtor está no prejuízo, atualmente, em consequência da quebra de 1,2 milhão de toneladas da safra recente. “O prejuízo é de mais de R$ 1 bilhão”, afirmou. O dirigente criticou a falta de política para o produto por parte do Ministério da Agricultura. “Hoje sobram recursos, mas não temos capacidade de pagamento, há excesso de oferta e isto pressiona os preços para baixo”, resumiu. “Ate hoje, só ouvimos promessas, no máximo o adiamento do custeio”.

Vice-Presidente da Federarroz, Marco Tavares apresentou um perfil da comercialização do arroz no estado. Segundo ele, o custo de cerca de R$ 30 a saca não é coberto pelo preço mínimo estabelecido pelo Governo Federal, hoje em R$ 25,80. A produtividade alcança aproximadamente 129 sacas, ou 6.500 quilos, por hectare. “Nos últimos seis anos tivemos cinco safras no prejuízo”, disse. O custo anual da lavoura gaúcha, apontou, é de R$ 4 bilhões. O Rio Grande do Sul produz cerca de 65% da safra do Brasil, com uma produção que saltou de 80 milhões para 180 mihões de toneladas na última década. “O arroz é um produto sensível, de interesse social, mas o que vemos hoje é um descaso, as leis de mercado mandando. Precisamos de uma política diferenciada para o produto”, encerrou.

Na opinião de representantes dos produtores, o arroz é o primo pobre da cesta básica no Brasil e a política para produção e comercialização do produto enfrenta as mesmas dificuldades em todos os governos, desde o período militar. Gilberto Amata, do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), enfatizou que o Brasil é o primeiro país não asiático em produção e consumo do produto. O produto é exportado para mais de 50 países.

Manifestaram-se em apoio à luta dos produtores e nos encaminhamentos da comissão os deputados Paulo Odone (PPS), Adroaldo Loureiro (PDT), Jerônimo Goergen (PP), Gerson Burmann (PDT), Nelson Härter (PMDB), Aloísio Clasmann (PTB), Paulo Azeredo (PDT), Alceu Moreira (PMDB) e Frederico Antunes (PP). Presentes os deputados Francisco Appio, Adolfo Brito (PP), Gilberto Capoani (PMDB), Ciro Simoni (PDT), Heitor Schuch (PSB).

Participaram da audiência coordenada pelo presidente do órgão técnico, Edson Brum (PMDB), o deputado federal Luiz Carlos Heinze (PP); o Secretário da Agricultura do Estado, Gilmar Tietböhl; o Secretário da Irrigação, Rogério Porto; representantes da Farsul, Fetag, Ocergs, Irga, Ministério Público Estadual, prefeitos municipais, sindicatos e associações de produtores de várias regiões do estado. Não enviaram representantes o Ministério da Agricultura e indústrias do setor.


Fonte da Notícia: Assembleia Legislativa do RS




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